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Cisco vai investir US$ 10 bilhões na China

Por Michael Kan
Para o IDG News Service

A Cisco planeja um aporte de US$ 10 bilhões na China, mesmo frente às quedas em suas vendas no país, consequentes da desconfiança do governo local em relação às tecnologias norte-americanas. O investimento, que marca um novo capítulo para a empresa, inclui acordos com o Estado chinês para a expansão de seus esforços nas áreas de pesquisa e criação de emprego, indicou a provedora.

A ação estratégica visa explorar oportunidades de mercado da China, onde mais de 6 milhões de internautas apresentam uma demanda crescente por infraestrutura mais rápida de rede e data centers. “O investimento se dará ao longo de vários anos e deve ajudar a fomentar inovações tecnológicas no país”, sinalizaram os porta-vozes da provedora, sem dar detalhes da estratégia.

A fabricante se refere ao aporte como um “compromisso renovado”, sugerindo que o valor alocado será somado ao montante já direcionado a suas operações no país asiático. Como parte do investimento, a empresa assinou um acordo com a Comissão Nacional de Reforma e Desenvolvimento (uma agência governamental chinesa) e com uma associação ligada ao Ministério da Educação.

“A Cisco continuará a trabalhar com o governo chinês e seus parceiros para atender melhor as demandas do mercado”, declarou o líder dos negócios da empresa na China, Owen Chan. Em 2007, a empresa fez outro grande investimento no país, na casa dos US$ 16 bilhões. A maior parte do dinheiro foi destinada a dobrar sua produção.

A companhia está presente no mercado chinês há mais de duas décadas fornecendo equipamentos de rede — incluindo o que é usado para a infraestrutura de internet do país, mas o vazamento dos programas de vigilância secreta ilegal do governo americano pressionou os negócios da provedora na China.

Desde então, o governo do país transformou a segurança em uma das suas prioridades e considera a adoção de regulamentações mais rígidas, que poderiam levar empresas norte-americanas a abandonarem a China.

Além do desafio geopolítico, a Cisco também precisa lidar com a concorrência da Huawei Technologies e da ZTE, duas gigantes chinesas que se consolidaram entre os grandes players do setor de networking e que agora expandem suas operações para os serviços corporativos.

Apesar dos empecilhos, o anúncio feito pela empresa na quarta-feira (17/06) sinaliza seu compromisso com o mercado. Tanto John Chambers (seu atual CEO, prestes a deixar o cargo) quanto Chuck Robbins (seu substituto) se reuniram com oficiais governamentais chineses para dar o comunicado.